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    September 04

    VIÚVO Á FORÇA

    Eram quatro da manhã quando Claudina entrou no povoado pelo lado da Fonte Seca. O seu estomago dava voltas sobre voltas tantas eram as horas que haviam passado sem que qualquer tipo de alimento ali houvesse entrado. As forças iam faltando e o calor idaquela noite de verão em nada ajudava. Os muitos anos que lhe pesavam no dorso e as recentes dificuldades respiratórias obrigavam Claudina a caminhar pausada e lentamente  carreiro  acima de forma errante.
    Tentava pensar mas a muita fome, o cansaço e as dificuldades de respiração  não ajudavam. Decidiu parar um pouco  junto ao ribeiro das canas para matar  a sede já que a fome... não via jeito!
    Depois de saciar a sede naquela água cristalina e fresca do ribeiro que atravessava a aldeia de nascente para poente e ia desaguar no rio vermelho, que era assim conhecido pelas suas margens barrentas, deitou-se na erva fresca da margem e fechou momentaneamente os olhos;  Sabia que não podia adormecer porque tinha de arranjar alimento nessa noite e, não tardaria muito, os lavradores saíriam para as lides do campo. Mesmo assim deixou-se estar muito quieta a observar aquele magestoso xoupo com as suas frondosas videiras que, subindo por ele acima, lhe davam um  ar ainda mais imponente.
    De repente, ao olhar aquele galho mais baixo, lembrou-se que, há alguns anos, perseguira até ali um galito de seu nome Peralta que lhe escapara de entre os dentes esvoaçando para aquele mesmo galho e por ali se deixara ficar até ser dia negando-lhe, dessa forma, uma lauta refeição. De um salto levantou-se e parecia ter ganho novo animo com esta súbita e feliz recordação: Desde então não voltara ao galinheiro do Sabino que ficava no final da aldeia já nas fraldas da serra da Cumieira! Era um local ermo onde o Sabino, á custa dos seus braços e suor, tinha ganho campos á serra que desbravara com valentia. Era um alvo fácil e, alem disso, podia proporcionar-lhe a vingança do galo Peralta que, por tao pouco, lhe havia escapado.
    Orelhas arrebitadas, focinho baixo e  dorço encrespado Claudina galgou  em direção á serra pelo carreiro da ramada. Quando avistou a pequena quinta Claudina abrandou e, muito sorrateiramente, acercou-se do galinheiro e aninhou-se junto ao pessegueiro para, desta forma, poder analisar a situação: Tudo sossegado e sem qualquer movimento. Claudina entrabriu a boca e sorriu: Caso o galo  Peralta ainda não tivesse servido para uma boa cabidela estaria concerteza gordo, velho e desmazelado... Hoje era o dia da sua vingança!  Endireitou o dorço e rastejou junto ao solo. De repente um vulto encolhido no exterior do galinheiro chamou a sua atenção. Sobressaltada e silenciosa concentrou o seu olhar e pareceu-lhe um vulto galináceo... Devagar, devagarinho foi-se aproximando e, já muito perto, conseguiu finalmente ver que era o galo Peralta. Enquanto, sorrateiramente, avançava iam lhe aflorando razoes para a liberdade do galo: Estaria doente?  Teria fujido? Estaria  a quita abandonada?.. Fosse como fosse o Peralta estava ali mesmo á mão e iria certamente dar uma lauta refeição!!
    Mais alguns passo e...Zás! Num voo rasante  abocanhou o galo... Sentido-se assim apanhado Peralta balbuciou:
     -Ò raposa Claudina tem pena de mim!
    - Pena de ti?
    - Sim... Tem pena de um pobre viúvo!
    - Viúvo???
    - Sim! Roubaram as galinhas todas ás três da manhã!!!

    Comments (1)

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    luisawrote:
    coitado do Peralta...
    ficou triste, só e abandonado. LOL
    mas também tenho pena da Claudina, ainda não foi desta que matou a fome e comeu o "viúvo"
    hahahahahahahahahahahaha
    Sept. 8

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